jueves, 26 de mayo de 2011

Galeano y las prohibiciones. Coimbra y la prohibición . Claudia Fonseca escribe

Mi amiga y gran narradora de Portugal, Claudia Fonseca,  ha publicado en el blog de los Contabandistas este relato que sucedió  en enero 2008 en la magnífica y bella Coimbra.

Ventana  sobre las prohibiciones Eduardo Galeano




En la pared de una fonda de Madrid hay un cartel que dice: prohibido el cante.


En la pared del aeropuerto de Rio de Janeiro hay un cartel que dice: prohibido jugar con los carritos porta-valijas.


O sea: todavía hay gente que canta, todavía hay gente que juega.



Uma das primeiras vezes em que a abri foi em Coimbra, numa quinta com contos da Camaleão. Sala cheia, aquele clima bom e vivo que as noites organizadas pela Helena Faria e o Zé Geraldo têm.


Estava com Patrícia Orr, que era a convidada da noite.


Quando acabei de contar a janela e me sentei, Ana Filipa, uma amiga da Sofia que estava na nossa mesa, disse que eu não ia acreditar, que parecia incrível, mas num ali perto do rio havia um cartaz que dizia: proibido beijar.


Pareceu-me pouco provável uma coisa destas, mas depois eu e Patrícia nos pusemos a discutir se haveria ou não o tal cartaz e, caso houvesse, se seria a sério ou não…


Achamos que o assunto era importante o suficiente para justificar uma investigação e no dia seguinte de manhã fomos à procura do tal bar, que acabou por se revelar mais uma espécie de samba do crioulo doido, uma construção retangular à beira do rio, atafulhada de coisas para turistas, três ou quatro mesinhas num canto, quase perdidas no meio de tanta tralha, um balcão e, nas paredes, literalmente, milhões de tarecos pendurados.


Estávamos decididas a encontrar o tal cartaz e, mais, a fotografá-lo, porque uma coisa destas pede sempre provas materiais para que nos acreditem. Mas por mais que procurássemos no meio daquela profusão de coisas… nada. Nem sinal do dito cujo.


A dona do bar, vendo nós as duas ali plantadas no meio do seu nicho ecológico, olhando as paredes como perdidas e aparentemente sem a menor intenção de consumo, acabou por nos perguntar, meio mal-humorada, o que é que nós procurávamos.


Dissemos que procurávamos o cartaz de proibido beijar.


- Ah, isso? Está ali no canto! - e apontou para um espaço por cima da omnipresente televisão.


Era uma placa como as de trânsito, redonda, onde se via, a preto sobre um fundo branco, o perfil de um casal se beijando, com uma linha vermelha cruzada no meio, tal como nos cartazes de proibido estacionar, ou coisa que o valha.


- Já é um cartaz muito antigo, está aí há muito tempo - informou.


Perguntamos se aquilo do proibido beijar era a sério ou uma brincadeira, cheias de esperança de que brincadeira fosse.


- Olhem minhas senhoras, nós aqui não temos nada contra os beijos, achamos normal, são coisas da juventude. Mas teve de ser, porque há gente que exagera… e isso não se admite.


E assim ficamos devidamente esclarecidas.


Não tomamos nem um café, numa espécie de vingança inútil.


Saí de lá pensando na vida amorosa daquela mulher e daquele homem que proibiam beijos. Retiro o amorosa. Saí, sei lá, meio desconsolada. Mesmo com o Mondego a faiscar ao sol, mesmo com o céu de um azul alucinado, e a cidade linda por trás.


Então Patrícia, com aquele sorriso matreiro dela, disse:


- No estejas así, Chica. Se hay cartel… es que todavía hay gente que besa!


Não conseguimos tirar a tal fotografia, a máquina da Patrícia ficou sem bateria. Não há provas.


Mas juro que o cartaz existe, e a dona do bar também.


A Patrícia também existe.


E viva os que cantam, os que contam, os que brincam, os que dançam…


E viva os que beijam!

Cláudia Fonseca

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